Dieta da proteína

A redução de peso e gordura corporal alcançada pela restrição calórica normalmente acompanha diminuição da massa magra – músculos, água e eletrólitos.

A proposta de aumentar a proporção de proteínas da dieta é uma estratégia que busca promover maior perda de peso, maior redução de gordura corporal e diminuição da perda de massa magra durante o emagrecimento, em comparação a outras dietas com menos proteína e de mesmo valor energético.

Porém, os resultados a longo prazo ainda são controversos. 

Neste artigo você vai ler sobre possíveis benefícios e contraindicações da dieta da proteína.

O que é a dieta da proteína?

O nosso corpo obtém energia dos alimentos para realizar atividades vitais. Essa energia é o que chamamos de calorias. As calorias são encontradas em nutrientes conhecidos como carboidratos, gorduras e proteínas. Cada pessoa tem uma necessidade individual de calorias que precisa ser consumida a partir dos alimentos que são fonte desses nutrientes. As necessidades de calorias podem variar conforme idade, peso, sexo, nível de atividade física e estado de saúde. De forma simplificada, quando acontece o consumo de mais caloria do que o corpo gasta, ocorre o ganho de peso.

A proporção ideal dos macronutrientes em dietas de emagrecimento ainda é bastante discutida. Nesse sentido, a dieta da proteína é uma estratégia baseada no aumento do consumo de alimentos ricos nesse nutriente. Alimentos de origem animal como carnes, ovos e leite são fontes de proteína. Leguminosas, como feijão, grão de bico e lentilha também são fontes de proteína de origem vegetal. 

Além da ação estrutural das proteínas em nosso corpo, a sua ingestão contribui para sensação de saciedade. Ao priorizar o consumo de alimentos fonte de proteína, pode acontecer a redução na ingestão de outros grupos alimentares, incluindo alimentos processados que concentram alto teor sal, gorduras e açúcares, bem como de calorias. A redução no consumo desses alimentos pode influenciar o deficit calórico e a perda de peso. 

Como é feita a dieta da proteína?

A realização da dieta pode variar bastante, mas normalmente cardápios padronizados  incluem alimentos fonte de proteínas em todas as refeições, diminuindo bastante a oferta de alimento fonte de carboidratos (pães, arroz, macarrão, batatas) e gorduras. 

Existem cálculos para estimar a necessidade de proteínas de cada pessoa e a indicação por nutricionistas para aumento do consumo costuma ser direcionada a atletas ou pessoas com alguma enfermidade que precisam desse nutriente aumentado, mesmo assim, sem excluir outros nutrientes. O que acontece na dieta da proteína é que o aumento não tem justificativa, a proposta é geral para todas as pessoas. 

A dieta da proteína funciona?

A justificativa para aumentar a proporção de proteínas da dieta é que essa estratégia   promove maior perda de peso, maior redução de gordura corporal e diminuição da perda de massa magra durante o emagrecimento, em comparação a outras dietas com menos proteína e de mesmo valor energético. Porém ainda faltam evidências que definam a melhor proporção, a quantidade e a fonte de proteína a ser utilizada em dietas para redução de peso, bem como o tempo ideal de tratamento. 

Faltam esclarecimentos sobre efeitos adversos envolvidos com a adoção dessa estratégia, mas, generalizando a partir de outras dietas restritivas, a perda de peso rápida não é sustentável a longo prazo. Sem um processo gradual de reeducação alimentar e ingestão de acordo com necessidades individuais não há manutenção do peso e há risco de deficiências nutricionais.

A dieta da proteína oferece riscos?

Mesmo que as proteínas sejam nutrientes vitais para a manutenção de tecidos e para o metabolismo, o excesso pode causar prejuízos à saúde. É necessário precaução no aumento de proteínas da dieta, especialmente por pessoas com história de doença renal, diabetes e gota. O aumento de proteína acompanhado de diminuição de carboidratos leva a redução de peso pela diminuição de fluidos, podendo resultar em desidratação.

O estresse promovido pela dieta leva a alterações no nível de cortisol, que também pode ter consequências sobre hormônios, incluindo os que regulam o apetite e manutenção do peso, além de piorar a relação com a alimentação. Dietas muito restritivas, inadequadas quanto a proporção de carboidratos, proteínas e gorduras podem gerar carências nutricionais específicas e provocar doenças.

Considerações finais

A dieta da proteína não é adequada porque não considera necessidades nutricionais individuais, nem de pessoas que apresentam algum cuidado por condição adversa de saúde. Os resultados rápidos, assim como em outras dietas restritivas, estão relacionados ao deficit calórico, não a composição, e a perda de peso não costuma ser mantida.

Não só o valor calórico total da dieta, mas o planejamento da proporção de nutrientes deve ser baseado em avaliações individualizadas, prevenindo assim riscos à saúde. 

Quando se pensa em alimentação saudável e equilibrada, é importante que haja variedade de alimentos e que ela seja apropriada aos hábitos de cada pessoa. 

Referências:

PEDROSA, Rogerio Graça; DONATO JUNIOR, Jose; TIRAPEGUI, Julio. Dieta rica em proteína na redução do peso corporal. Rev. Nutr. Campinas, 2009

Luciana Neves Faria, Anelise Andrade de Souza. ANÁLISE NUTRICIONAL QUANTITATIVA DE UMA DIETA DA PROTEÍNA DESTINADA A TODOS OS PÚBLICOS. Demetra: alimentação, nutrição & saúde, 2017.