O que é a “dieta do hCG”?

A Gonadotrofina Coriônica (hCG) é um hormônio exclusivo da gravidez, utilizado para diagnóstico de gestação. A gravidez depende desse hormônio, porque é ele que garante que o corpo lúteo seja mantido no ovário durante o primeiro trimestre da gestação. Em homens, o hCG estimula a secreção de hormônios andrógenos, relacionados a características sexuais masculinas, regulação da massa muscular e distribuição de gordura. 

A dieta do hCG surgiu em 1954 quando o médito britânico ATW Simeons descreveu a combinação de restrição calórica (500kcal por dia) com injeções diárias do hormônio. Segundo ele, as injeções facilitariam a manutenção da dieta e a perda de peso em partes específicas do corpo (quadril, barriga e coxas). A maioria dos estudos que surgiram desde então eram relatos de experiências terapêuticas e não estudos controlados. À medida que a dieta HCG foi se tornando mais popular, também aumentou o número de casos com efeitos adversos, incluindo complicações graves tais como trombose venosa profunda e embolias pulmonares.

A promessa de tratamento rápido para o excesso de peso e a busca obsessiva por padrões estéticos preocupa autoridades da saúde. A “dieta do hCG” é um método que promete emagrecimento sem nenhuma evidência científica e com potenciais riscos à saúde, que já foi reprovada por autoridades de saúde internacionais e nacionais como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). 

A dieta funciona?

O uso de hCG no tratamento para emagrecimento não é recomendado por não apresentar evidências científicas que comprovem sua eficácia e por causar malefícios à saúde. Relatos de que a dieta levou à perda de peso muito provavelmente estão relacionados a restrição calórica severa que é proposta (ingestão de cerca de 500 a 800 calorias por dia) e não pela combinação com o hormônio. Mesmo assim, dietas com restrição severa de calorias são pouco sustentáveis, podem desencadear transtornos alimentares, desnutrição e levar a adaptações que promovem reganho do peso.

Como costumam fazer a dieta? 

O HCG na forma injetável tem indicação clínica, quando prescrito por médico, para o tratamento de infertilidade (na mulher) e outras condições como criptoquidismo, hipogonadismo hipogonadotrófico e puberdade tardia (homem e crianças).

O uso através do método de Simeons, combinando a injeção de hCG com restrição calórica para promover emagrecimento não tem evidências. Não há provas suficientes para utilizar a hCG tentando modificar o metabolismo, a composição corporal ou influenciar o apetite, não sendo uma conduta viável para controle do peso.

Apesar da falta de comprovação da eficácia, além da forma injetável, produtos em gotas, pastilhas são comercializados. 

A dieta tem algum risco?

Os riscos da dieta do HCG estão relacionados ao aumento da produção de hormônios sexuais, podendo desencadear quadros de trombose venosa profunda de membro,  embolia pulmonar, acidente vascular cerebral, infartos, náuseas, vômitos e dores de cabeça.

Conclusão

A dieta HCG não é um método novo, porém continua na categoria de dietas populares porque promete perda de peso imediata. Entretanto, a promessa de perda de peso e melhora da estética corporal não se cumpre, não é comprovada cientificamente e ainda apresenta potencial grave para riscos à saúde, segundo registros de casos relacionando trombose e embolia pulmonar.

Concluindo, é importante destacar que os profissionais de saúde devem conhecer métodos como esse para acolher as dúvidas dos pacientes e esclarecer quais métodos são realmente seguros e quais não são, adequando para cada caso. A quem busca perda de peso, busque profissionais de saúde éticos e capacitados para acompanhar seu caso.

Referências:

1. Parecer do Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul, disponível em http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CRMMS/pareceres/2013/4_2013.pdf [acesso 28/10/2020]

2. Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) em relação à utilização da Gonadotrofina Coriônica Humana (hCG) para tratamento da obesidade.

3. Pektezel MY, Bas DF, Topcuoglu MA, Arsava EM. Paradoxical consequence of human chorionic gonadotropin misuse. J Stroke Cerebrovasc Dis. 2015 Jan;24(1):e17-9.

4. Thellesen L, Jørgensen L, Regeur JV, Løkkegaard E. [Serious complications to a weight loss programme with HCG.]. Ugeskr Laeger. 2014 Jul 21;176(30).

5. Lempereur M, Grewal J, Saw J. Spontaneous coronary artery dissection associated with β-HCG injections and fibromuscular dysplasia. Can J Cardiol. 2014 Apr;30(4):464.e1-3.

6. Sanches M, Pigott T, Swann AC, Soares JC. First manic episode associated with use of human chorionic gonadotropin for obesity: a case report. Bipolar Disord. 2014 Mar;16(2):204-7.

7. Goodbar NH, Foushee JA, Eagerton DH, Haynes KB, Johnson AA. Effect of the human chorionic gonadotropin diet on patient outcomes. Ann Pharmacother. 2013 May;47(5):e23.