Quem criou a dieta dos pontos?

Um médico endocrinologista, Alfredo Halpern, na década de 1960 idealizou uma abordagem nutricional com a ideia de flexibilizar a escolha dos alimentos na dieta de seus pacientes.

Nessa abordagem, o paciente recebia uma lista com alimentos e bebidas com equivalência de pontos para cada opção. A partir dessa lista, os pacientes faziam um diário, escolhiam os alimentos que iam consumir, registravam, somavam os pontos e tentavam fazer ajustes ao longo da semana para chegar a um valor previamente combinado na consulta. Essa abordagem recebeu o nome de “Sistema de Pontos” e sua principal característica é a ausência de proibições de qualquer alimento e possibilidade de compensar no dia seguinte. 

Uma organização que surgiu na mesma época, nos Estados Unidos, também utiliza uma avaliação com Sistema de Pontos Ativos. É a organização “Wight Watchers” que chegou ao Brasil em 2003 e recebeu o nome de “Vigilantes do Peso”. Uma diferença para a dieta dos pontos de Alfredo Halpern é que os Vigilantes do Peso também consideram pontos de atividade física em suas metas.

O que é?

A dieta dos pontos é uma estratégia baseada nas calorias dos alimentos. Cada alimento equivale a uma pontuação de acordo com as suas calorias totais. Uma pessoa, com uma necessidade diária de calorias, vai converter isso para um número total de pontos e vai planejar a sua alimentação ao londo do dia de acordo com essa lista de alimentos. A ideia é consumir alimentos que pontuem o mais próximo das necessidades.

A dieta exige que a pessoa anote todos os alimentos e quantidades consumidas ao longo do dia, some os pontos e pondere se precisa fazer compensações no dia seguinte.

A ideia inicial da dieta é que o método vai auxiliar as pessoas a fazerem escolhas mais interessantes nutricionalmente, visto que alimentos como frutas, verduras e integrais  geralmente pontuam menos, permitindo o consumo em maior quantidade, ainda atendendo a sua meta diária.

Como é feita a dieta dos pontos?

Para realizar a dieta dos pontos a pessoa precisa saber qual sua necessidade individual de energia, isto é, de calorias.

Para isso, existem fórmulas que consideram sexo biológico (feminino ou masculino), peso e idade. O nível de atividade física também influencia neste cálculo, bem como alguma condição de saúde.

Depois de descobrir as necessidades de calorias, se faz a conversão para saber quantos pontos estão “permitidos”. Quando o objetivo é emagrecimento, é proposta a redução de aproximadamente 200 a 300 pontos do total obtido.

  1. Na hora de fazer a dieta, todos os alimentos estão permitidos, mas eles têm pontos diferentes.

Enquanto alguns alimentos apresentam pontos que podem variar de 0 a 10 pontos, outros podem chegar a 40… Esses pontos tendem a incentivar o consumo de uma alimentação mais variada com frutas, verduras e alimentos integrais, na tentativa de auxiliar no quesito saciedade.

A dieta dos pontos funciona?

A defesa da dieta dos pontos é que a sua lista de alimentos e opção de escolher o que quer comer torna o processo flexível e contribui para um trabalho de reeducação alimentar.

A alegação é que fazendo a dieta dos pontos a pessoa entende o que precisa comer e trabalha o autocontrole.

No processo de emagrecimento, sabemos que outros fatores influenciam ganho ou perda de peso.

No caso da dieta dos pontos promover um deficit calórico, é bem provável que ela leve a perda de peso assim como outras estratégias que restringem calorias.

O quanto esse processo é sustentável, há controversas. No primeiro momento pode ser difícil compreender quais alimentos valem mais pontos e entender o porquê.

Se manter em controle diário pode ser estressante para muitas pessoas e ter repercussões na saúde mental e também física.

Atender uma meta de calorias não necessariamente garante alcançar a recomendação individual de nutrientes. Seguir a estratégia de somar pontos, sem uma orientação de nutricionista sobre alimentação saudável, dificilmente vai promover uma reeducação alimentar saudável efetiva. 

Existem contraindicações?

Dietas muito restritivas até podem levar a um resultado rápido de perda de peso, em relação àquelas com restrição calórica moderada, mas não há nenhuma garantia de manutenção do peso a longo prazo.

Não considerar as necessidades de nutrientes, como equilíbrio de carboidratos, proteínas e gorduras, além de vitaminas e minerais pode levar a ingestão inadequada e a quadros de desnutrição, complicações de saúde agudas ou crônicas.

Fazer dietas está associado a efeitos psicológicos adversos, podendo desencadear complicações graves como transtornos alimentares.

Considerações finais

A proposta da dieta dos pontos surgiu como uma tentativa de contrapor dietas muito rígidas, monótonas que não incentivavam a autonomia alimentar.

Essa é uma estratégia que promete modificar hábitos alimentares e perder peso “comendo de tudo, sem passar fome”.

Porém o foco em calorias sem o cuidado com recomendação de nutrientes como vitaminas e minerais pode levar a uma série de problemas de saúde.

Lidar com a comida apenas considerando pontos/calorias também pode prejudicar muito as relações que envolvem a alimentação, atrapalha o prazer em comer, que é muito importante para se manter saudável. O estresse de estar em dieta também gera respostas no organismo, como aumento do cortisol e alterações de apetite.

Não é impossível montar um plano alimentar considerado saudável conciliando a estratégia de dieta dos pontos, mas, com certeza, existem outros meios de melhorar escolhas alimentares sem tornar alguém obsessivo pelas calorias.

Por isso, recomendo, procure um nutricionista para desenvolver um plano alimentar adequado para você! 

Referencias


MENDES, Mára Della Santa Dovichi. Comparação entre dieta hipocalórica tradicional e sistema de pontos em adolescentes obesos. 2013. Dissertação (Mestrado em Endocrinologia) – Faculdade de Medicina, University of São Paulo, São Paulo, 2013. doi:10.11606/D.5.2013.tde-13012014-104155. Acesso em: 2020-10-28.