O que é a dieta paleolítica?

A dieta paleolítica recebe esse nome por ser associada a alimentação dos ancestrais humanos. Essa estratégia estimula o consumo de frutas, verduras, carnes brancas e vermelhas, ovos e sementes oleaginosas, enquanto desestimula o consumo de grão, laticínios, alimentos com alta quantidade de sal, óleos e açúcar refinados. A ideia é ter uma alimentação parecida com o que era antes de existir o processamento dos alimentos. 

O argumento que embasa a dieta paleolítica é que o nosso metabolismo e fisiologia (funcionamento do nosso corpo) foi moldado nos últimos 25 milhões de anos, e como a evolução é um processo lento, não houve período suficiente para adaptar o nosso corpo à disponibilidade de alimentos da dieta moderna. Por essa lógica, o aumento do peso corporal generalizado ao redor do mundo, bem como complicações como as das doenças crônicas não transmissíveis, são consequências desse novo estilo de vida e modificar a alimentação para um padrão como dieta paleolítica poderia ser um meio de prevenir e tratar essas complicações. Mas será que funciona mesmo? 

Como fazer a dieta paleolítica?

Não há consenso sobre os antecedentes da dieta paleolítica, existem variadas de propostas para realizá-la. De uma forma geral, a dieta inclui frutas, vegetais, carnes brancas e vermelhas, ovos e sementes oleaginosas; exclui sal, açúcar, doces, alimentos processados, óleos vegetais refinados, cereais, alguns legumes, laticínios, refrigerantes, café e bebidas alcoólicas. Para cozinhar, óleo de oliva, óleo de coco e óleo de linhaça costumam ser mais recomendados.

Alguns protocolos não orientam tamanho de porções, apenas informam como os alimentos podem ser combinados entre si, daqueles “permitidos”. O fracionamento da dieta pode ser de 5 a 6 refeições diárias, com justificativa de auxiliar a adesão.

A Dieta funciona para perder peso?

A dieta paleolítica tem sido associada a resultados como perda de peso, melhora no perfil lipídico (colesterol total e suas frações) e metabolismo da glicose. 

A lista de alimentos da dieta paleolítica é composta por alimentos menos calóricos, o que pode representar deficit calórico ao final do dia e contribuir para a perda de peso. 

Além disso, a composição da dieta parece ter efeitos de maior saciedade. Isso é previsível, visto que carboidratos e alimentos que passam por processamento, com adição de gorduras, sal e/ou açúcares tendem a ser mais palatáveis e consumidos em maior quantidade.

Em comparação a outras dietas tradicionais, a curto prazo, a dieta paleolítica demonstra sermais efetiva para perda de peso, redução do Índice de Massa Corporal e de circunferência de cintura.

Entretanto, a longo prazo, esses resultados relacionados a perda de peso não são diferentes a outras dietas, são pouco sustentáveis. O acesso aos alimentos dependendo do local de moradia, possibilidade de compra e custos também podem ser aspectos que dificultam a adesão e mudança de hábitos. 

A restrição a certos grupos alimentares, como os que incluem grãos e laticínios, pode provocar carências nutricionais, por exemplo baixo aporte de cálcio. 

Segundo a Associação Brasileira de Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO, 2016), a perda de peso promovida por dietas ricas em gorduras, proteínas e pobres em carboidratos ocorre principalmente em razão da menor ingestão de calorias e não somente da composição desses macronutrientes. Lembrando que o que determina o sucesso de uma estratégia é o tempo de manutenção do peso reduzido, com saúde.

A dieta paleolítica apresente efeitos adversos?

A restrição a grupos alimentares, como os que incluem grãos e laticínios, pode provocar carências nutricionais.

A prática da dieta paleolítica pode levar à frustração pela dificuldade de manutenção, monotonia alimentar, pior relação com a comida pela noção de alimentos bons x ruins, desinformação em relação a nutrição, posterior compensação do consumo dos alimentos “proibidos”; desenvolvimento de compulsão alimentar ou outros transtornos alimentares.

A perda de peso rápida, sem oferta adequada das necessidade nutricionais individuais, a dificuldade para manutenção do padrão alimentar e estresse gerado pela dieta podem ter como consequência ganho excessivo de peso posterior.

Toda dieta restritiva pode oferece potencial risco para a saúde. Esse risco pode ser minimizado quando a indicação e acompanhamento são realizados por profissional de saúde, especialmente por nutricionistas. 

Considerações finais:

A dieta paleolítica demonstra efeitos sobre perda de peso, redução de IMC, de medidas corporais e melhora de alguns parâmetros metabólicos. Porém a dificuldade de manutenção desse padrão alimentar que não condiz com o estilo moderno pode ser um desafio e até desencadear complicações de saúde na busca por sua realização.

Recomendamos que você busque avaliação e acompanhamento de nutricionistas para desenvolver um plano alimentar individualizado que estimule uma alimentação adequada e saudável. 

Referências:

PARENTE, Nara de Andrade et al . The effects of the Paleolithic Diet on obesity anthropometric measurements. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum.,  Florianópolis ,  v. 22,  e69957,    2020 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-00372020000100322&lng=en&nrm=iso>. access on  31  Oct.  2020.  Epub Apr 03, 2020.  https://doi.org/10.1590/1980-0037.2020v22e69957