O que é o Mulungu? Benefícios, usos e efeitos colaterais

Imagem de um chá sobre uma mesa enfeitada com fores.
Imagem de Marina Pershina por Pixabay

Mais um artigo sobre as principais curiosidades e novidades! Dessa vez, vou me aprofundar sobre o Mulungu. Vocês conhecem essa planta medicinal?

Quais são seus benefícios e propriedades?

Será que ele é tóxico?

Emagrece?

Podemos fazer o chá de Mulungu para perda de gordura?

Tudo isso e muito mais você saberá somente se me acompanhar pelo artigo, vamos lá?

Mulungu

O Mulungu (Erythrina sp.) é uma planta medicinal da família Leguminosae-papilionoideae também conhecida como corticeira, canivete, árvore-de-coral ou bico-de-papagaio e tem sido alvo de muito estudos científicos.

Ele é encontrado no cerrado, caatinga, Amazônia e Mata Atlântica brasileiras, onde sua maior ocorrência se dá na região Sudeste. As partes utilizadas para chás e outros componentes, como na cosmética, são as cascas do caule.

Sua árvore atinge de 10 a 25 metros de altura e é composta por folhas e flores vermelhas, de onde vem o seu nome científico (“erythros” em grego significa vermelho).

A população indígena brasileira utiliza a casca do Mulungu há muito tempo como sedativo.

Em sua composição há alcalóides, esteróides, glicosídeos, compostos antociânicos, taninos, flavonóides, isoflavonóides, metilsigmoidina, faseolidina, homohesperetina, proteínas, aminoácidos, saponinas, vitaminas e minerais, entre outros.

Infelizmente, não foram achados materiais científicos que trouxessem à luz os valores nutricionais do Mulungu, somente seus aspectos farmacológicos e químicos, como por exemplo nos artigos de DE BONA e colaboradores (2012), ANVISA e MINISTÉRIO DA SAÚDE (2015), SCHLEIER, SACURAGUI e RAHME (2016) e FLAUSINO JR (2006).

Benefícios

  • Há muitos estudos abordando a ação do Mulungu nos casos de depressão e outros transtornos emocionais: ANVISA e MINISTÉRIO DA SAÚDE (2015), FLAUSINO JR (2006) (mostrou efeito ansiolítico positivo em ratos submetidos aos modelos de labirinto em T elevado – LTE – e da transição claro-escuro – TCE -, com diferentes tipos de causas ansiolíticas), RIBEIRO e colaboradores (2006) (ratos machos do gênero Wistar foram submetidos à natação forçada, labirinto T elevado – LTE -, mostrando a eficiência da Erythrina verna como um potente ansiolítico) e MARTINS e BRIJESH (2020) (potencial anticonvulsivante e antidepressivo por meio da análise fitoquímica do Mulungu);

  • Ação anti-inflamatória e antinociceptiva: VASCONCELOS e colaboradores (2011) (estudo realizado em camundongos machos Swiss) AMORIM e colaboradores (2019) (apontam a ação anti-inflamatória do Mulungu em ratos com asma induzida, apoiando seu uso etnofarmacológico para o tratamento de doenças respiratórias;) e UDDIN e colaboradores (2014) (induziram a dor em ratos albinos Swiss machos, onde foi comprovada analgesia moderada da E. variegata. Um dos compostos do Mulungu, a faseolinina pode ser considerada uma partícula analgésica);

  • Como vimos acima, o Mulungu é um ótimo aliado da saúde respiratória: AMORIM e colaboradores (2019) e AMORIM (2017) (realizaram estudos com ratos onde foi comprovado o poder do Mulungu no tratamento da asma);

  • Proteção gástrica: FAHMY e colaboradores (2020) (possui potencial efeito gastroprotetor e sugere sua aplicação potencial no tratamento de úlceras gástricas causadas por H. pylori);

  • Poder antimicrobiano: DE ÁVILA e colaboradores (2018) (por causa dos seus inúmeros fitoquímicos, possui poder antimicrobiano e antifúngico contra bactérias Gram negativas e Candida krusei);

  • Em extratos de Erythrina senegalensis e Erythrina abyssinica, dois tipos de Mulungu, são utilizado no tratamento da obesidade e diabetes tipos 2, por causa do isolamento dos flavonóides presentes em sua composição: OH e colaboradores (2009) e NGUYEN e colaboradores (2010);

Emagrece?

Mulher magra segurando a calça que está larga.
Imagem de Oleg Mityukhin por Pixabay

Por seu potencial ansiolítico já comprovado e por sua utilização no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, o Mulungu pode auxiliar no processo de emagrecimento.

Além disso, ele possui ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória, que são um prato cheio para quem quer emagrecer.

Por falar em ansiedade, grande parte dos quadros possuem a diminuição da saciedade e o aumento do consumo incontrolável de alimentos ricos em açúcar e sal, que em grande parte são industrializados Portanto, o controle da ansiedade pode ser feito através da associação medicamentosa e da Medicina Tradicional, fazendo com que o indivíduo volte a ter o processo de saciação e não ter compulsão alimentar.

Lembrando que não adianta nada você tomar chá de Mulungu se não mudar seu estilo de vida.

É necessário uma mudança/reeducação alimentar e a prática de exercícios diariamente.

Veja também: 20 suplementos para emagrecer

Contraindicações

O Mulungu é contraindicado para crianças menores de cinco anos, grávidas e lactantes.

Pessoas que usam medicamentos anti-hipertensivos ou antidepressivos precisam de indicação do médico, por causa do seu efeito hipotensivo e ansiolítico.

Efeitos colaterais

Caso o uso do Mulungu for feito indiscriminadamente, há alguns efeitos colaterais, como:

  • Sedação;
  • Sonolência;
  • Paralisias musculares.

Receitas

Chá de Mulungu

Ingredientes:

  • 4 – 6 g de casca de Mulungu;
  • Uma xícara de água fervente.

Modo de preparo:

  • Colocar a casca de Mulungu na água e deixar ferver por cerca de 15 minutos;
  • Coar, amornar e tomar o chá de duas a três vezes por dia. É importante ter em mente que é essa quantidade é ser tomada. Por causa do seu efeito calmante, pode afetar diretamente a execução de atividades diárias.

Conclusão

O Mulungu é uma planta medicinal muito utilizada pela população indígena brasileira.

Ele é encontrado no cerrado, caatinga, Amazônia e Mata Atlântica e sua maior concentração está na região Sudeste.

Essa planta medicinal possui inúmeras propriedades e benefícios para o corpo humano, desde calmantes até diuréticas e auxiliadoras no emagrecimento.

É importante lembrar que o Mulungu por si só não faz milagres e que é importante a associação de mudança de vida e prática de atividades físicas diárias para potencializar seus efeitos.

Espero que vocês tenham gostado do artigo, até a próxima!

Fontes

  1. MULUNGU
  2. Estudo fitoquímico e análise mutagênica das folhas e inflorescências de Erythrina mulungu (Mart. ex Benth.) através do teste de micronúcleo em roedores
  3. Erythrina mulungu – descrição botânica e indicações clínicas a partir da antroposofia
  4. MONOGRAFIA DA ESPÉCIE ERYTHRINA MULUNGU (MULUNGU) 

EFEITO ANSIOLÍTICO DA ADMINISTRAÇÃO PROLONGADA DO EXTRATO DE Erythrina velutina NO LABIRINTO EM CRUZ ELEVADO

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