Coco e óleo de coco dentro de uma jarra de vidro

Apesar da maioria das pessoas acreditarem que as gorduras são as “vilãs” da dieta, os óleos e gorduras são essenciais para o funcionamento do nosso organismo.

Necessitamos desse macronutriente para a produção de energia, síntese de hormônios, veículos para as vitaminas chamadas lipossolúveis, como a vitamina E, entre outros.1

                As gorduras vegetais, presentes nos óleos, como o de soja e o de canola, no azeite e em alimentos como o abacate, as nozes, sementes e castanhas são excelentes fontes de ácidos graxos essenciais, como ômega 3 e 6 e vitamina E – além de não possuírem colesterol – possuem efeitos comprovados para a saúde do cérebro e do coração.1

A crescente preocupação com a saúde leva tanto a indústria, quanto os consumidores, a buscar novos produtos com diferentes benefícios, sejam eles alimentos ou suplementos.

Nesse contexto, o óleo de coco surgiu como uma promessa para auxiliar no emagrecimento, na melhora da hidratação dos cabelos e efeitos que preveniriam o envelhecimento precoce.2

Composição e vantagens do uso do óleo de coco

Coco e óleo de coco dentro de uma frigideira

                O óleo de coco é uma gordura vegetal, extraída da polpa do coco fresco maduro.

Sua composição é basicamente de ácidos graxos saturados (cerca de 80%) – com destaque para os ácidos caprílico, láurico, mirístico, palmítico e esteárico – e o restante de ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico).

Essa composição, baseada em ácidos graxos de cadeia média (TCM), poderia ser benéfica ao organismo pela característica desse tipo de gordura, já que ela seria inicialmente mobilizada para a produção de energia e pouco acumulada no tecido adiposo.1,2

                Devido a sua resistência à oxidação, o óleo de coco é comumente utilizado em produtos culinários e estéticos, como a fabricação de sorvetes e margarinas e como um substituto da manteiga de cacau em batons e cosméticos.2

Na culinária, seu sabor suave é um ponto positivo para sua utilização em preparações como bolos e doces, assim como no preparo de proteínas grelhada, já que sua composição não sofreria alterações com a temperatura, o que não desencadeia resposta inflamatória pelo organismo.

Ele também pode ser substituído pelo azeite no preparo de saladas, trazendo um sabor mais adocicado e frutado aos pratos.

                Hoje encontramos no mercado duas formas de apresentação do óleo de coco, o refinado e o não-refinado, ou virgem.

O óleo de coco virgem utiliza métodos de prensagem e secagem para a sua extração, resultando em uma gordura sem aditivos químicos, que preserva melhor as suas características nutricionais e seu sabor.

Já o óleo de coco refinado é exposto a altas temperaturas e utiliza algumas substâncias para garantir o máximo aproveitamento da polpa do coco, o que resulta em perdas nutricionais no produto.

Além disso, pode ser utilizado processo de hidrogenação, o que gera gorduras trans, não benéficas à saúde.

Óleo de coco Emagrece?

                Como as demais gorduras, o óleo de coco possui 9 calorias por grama, contra as 4 calorias presentes em cada grama de proteínas e carboidratos.

Apesar de sua composição ser na maior parte de gorduras saturadas, amplamente descritas como prejudiciais à saúde, potenciais causadores do aumento do colesterol e do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, estudos mostraram que os ácidos graxos de cadeia média presentes no óleo de coco seriam capazes de reduzir o apetite, de serem primeiramente mobilizadas para a produção de energia – e não para o acúmulo no tecido adiposo – e consequentemente, teriam impacto positivo na perda de peso.3

Algumas pesquisas apontaram que, apesar de, em comparação com óleos ricos em ácidos graxos poli-insaturados, o óleo de coco ter um potencial de aumentar o colesterol e reduzir o HDL – chamado colesterol bom.

Porém esses mesmos estudos também apontaram que a qualidade da dieta como um todo tem uma maior parcela de responsabilidade nessas alterações de perfil lipídico e foram pouco conclusivos quanto a essa informação em específico.4

                Estudos também mostraram que o uso óleo de coco pode ser benéfico no tratamento de feridas, devido ao seu potencial antimicrobiano e anti-inflamatório, contribuindo para a maior rapidez na cicatrização e redução do risco de infecções.5

Outras pesquisas também mostram relações positivas do uso de óleo de coco na melhora de doenças cerebrais degenerativas como o Alzheimer.6

Efeitos adversos do uso do óleo de coco

                Devido a sua composição ser majoritariamente de gorduras saturadas, o óleo de coco poderia causar um efeito de aumento do colesterol e redução do colesterol “bom” (HDL) – porém é preciso observar a quantidade e frequência de consumo, bem como a qualidade da alimentação em geral, da prática de atividade física e de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

                A princípio, não existem contraindicações conhecidas para o uso de óleo de coco na alimentação, inclusive para gestantes, mulheres amamentando e crianças.

Porém é sempre recomendado que o médico ou nutricionista seja consultado antes do uso de qualquer tipo de suplemento alimentar.

1 IBSCH, R.B.M.; SOUZA, C.K.; REITER, M.G.R. Óleo de Coco É Realmente uma Escolha Saudável? International Journal of Nutrology 2018; 11(S 01): S24-S327.

2 Posicionamento oficial da Associação Brasileira de Nutrologia a respeito da prescrição de óleo de coco. Disponível em: https://socgastro.org.br/novo/2017/03/posicionamento-oficial-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-a-respeito-da-prescricao-de-oleo-de-coco/

3 VAN WYMELBEKE, V.; HIMAYA, A.; LOUIS-SYLVESTRE, J.; FANTINO, M. Influence of medium-chain and long-chain triacylglycerols on the control of food intake in men. Am J Clin Nutr [Internet]. 1998 Aug [cited 2017 Jul 12];68(2):226–34.

4 EYRES, L.; EYRES, M.F.; CHISHOLM, A.; BROWN, R.C. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutr Rev [Internet]. 2016 Apr [cited 2017 Jul 12];74(4):267–80.

5 SOUSA, R.D.S. Estudo de substâncias químicas em óleos de coco, copaíba, calêndula e girassol utilizados no tratamento de feridas: uma abordagem teórica. Disponível em:
http://hdl.handle.net/123456789/2357

6 HU YANG, I.; DE LA RUBIA ORTÍ, J.E.; SELVI, P.S; SANCHO, S.C.; ROCHINA, M.J.; MANRESA, R.N.; et al. [Coconut Oil: Non-Alternative Drug Treatment Against Alzheimer´S Disease]. Nutr Hosp [Internet]. 2015 Dec 1 [cited 2017 Jul 12];32(6):2822–7.