Fita métrica e cápsulas de remédios

Como vimos em nosso último artigo, há um percentual muito grande de brasileiros que estão acima do peso (55,7%, segundo o Ministério da Saúde).

No mundo, esse número assusta ainda mais, independentemente dos países serem desenvolvidos ou em desenvolvimento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada oito adultos no planeta é obeso.

Sim, é isso mesmo que você leu, e as coisas só tendem a piorar! Até 2025, a projeção é de que mais ou menos 2,3 bilhões de indivíduos no mundo estejam acima do peso, sendo mais de 700 milhões com obesidade.

Quando falamos das crianças, os números não são nada animadores: uma estimativa de 75 milhões de casos com sobrepeso ou obesidade, onde 427 mil delas poderão ser pré-diabéticas, 1 milhão hipertensivas e 1,4 milhão poderão apresentar gordura no fígado.

A obesidade é um fator de risco para desencadeamento de várias outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabete mellitus tipo 2 e de problemas físicos como artrose, artrite, pedra na vesícula, refluxo esofágico e até tumores de intestino e vesícula.

Há campanhas feitas em todo o mundo para quebrar os estigmas da obesidade e do sobrepeso.

Segundo a Agência Brasil, em nosso país, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica realizam atividades em alguns Estados para que a população crie uma conscientização maior sobre os malefícios do sobrepeso e da obesidade.

Ao mesmo passo que a obesidade vem crescendo no mundo, muitos indivíduos estão procurando métodos mais saudáveis de cuidar do corpo e mente, pois os dois estão interligados quando se trata da saúde, procurando profissionais que os apoiem como endocrinologistas, nutrólogos, nutricionistas e educadores físicos, para realizar uma correta reeducação alimentar e exercícios físicos de qualidade.

Infelizmente, alguns não possuem equilíbrio suficiente, dinheiro ou até mesmo paciência para reeducar o corpo e mente e acabam procurando maneiras rápidas e nada práticas de emagrecer.

Conseguem receitas de medicamentos de venda proibida no Brasil, fazem uso desenfreado de anfetaminas, ansiolíticos, são sedentários e deixam até de se alimentar corretamente.

Isso pode causar outros tipos de transtornos mentais, como a bulimia e anorexia, que são perigosas e podem levar até ao óbito, caso o indivíduo não procure ajuda rapidamente.

Além disso, há outros problemas no corpo pela desnutrição do mesmo, como a perda de vitaminas e minerais, que pode causar sérios problemas físicos e mentais.

Quer saber mais sobre os riscos que o uso desenfreado de remédios para emagrecer pode causar? Continue a leitura abaixo.

Quais os tipos existentes de medicamentos para emagrecer?

Cartelas de remédio para emagrecer

            Há pelo menos três tipos diferentes de medicamentos para emagrecer, sendo eles: anorexígenos, sacietógenos e inibidores da absorção de gorduras. Vou explicar um pouco mais sobre elas abaixo:

  1. Anorexígenos

Eles agem inibindo o apetite e são mais conhecidos por conter anfetaminas em suas composições (Anfepramona, Femproporex, Mazindol, Metanfetamina e Dietilpropiona) e são aconselhados somente em casos de obesidade mórbida.

Os especialistas utilizam estes tipos de fármacos quando os sacietógenos e inibidores da absorção de gorduras não são eficazes no emagrecimento, sendo a última opção deles, pois apresentam muitos efeitos colaterais como dilatação das pupilas, aceleração dos batimentos cardíacos, arritmias, diarréias, tremores nas mãos, boca seca, irritabilidade intensa, entre outros.

Elas possuem efeito estimulante, aumentando a liberação e o tempo de atuação da noradrenalina e dopamina – hormônios produzidos na glândula suprarrenal e secretados por neurônios pós-ganglionares do Sistema Nervoso Simpático – no cérebro e organismo.

A dopamina está relacionada à dependência, por isso o profissional precisa ter muito cuidado ao prescrever estes tipos de medicamentos.

  1. Sacietógenos

Este segundo tipo de fármacos agem direto no estímulo da sensação de saciedade, fazendo com que o indivíduo não sinta fome e que passe a comer em menores porções.

Um bom exemplo de sacietógeno é a famosa Sibutramina, um antiobesidade que inibe a recaptação de Serotonina (5-HT) e Noradrenalina, que têm papel importante sobre a saciedade através da sua ligação a diversos receptores e regula o balanço energético do organismo.

Originalmente, ela foi criada para ser um antidepressivo, por sua ação no Sistema Nervoso Central.

Este medicamento é indicado para pacientes que possuem Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 30 a 40 ou seja, obesidade grau I, II e III.

Há alguns efeitos colaterais, como por exemplo o aumento da pressão arterial, elevação da frequência cardíaca, dores de cabeça, prisão de ventre e insônia, por isso não podem ser utilizados por pacientes que possuem cardiopatias.

  1. Inibidores da absorção de gorduras

Somente dois medicamentos fazem parte deste grupo, o Orlistat e Cetilistate. Eles não agem restringindo o apetite, pois não atuam no Sistema Nervoso Central.

A principal característica destes medicamentos é agir na inibição intestinal de cerca de 30% das gorduras ingeridas em todas as refeições. Isso não significa que o paciente pode comer o quanto ele quiser, precisando seguir uma reeducação alimentar balanceada e realizar exercícios.

Os dois medicamentos citados são inibidores irreversíveis da ação da enzima lipase pancreática que, como o próprio nome já diz, é liberada pelo pâncreas. Essa enzima é responsável pela degradação de gordura – ingerida através da alimentação – no intestino, sendo liberada através das fezes.

Os efeitos colaterais desses medicamentos são cólicas abdominais, aumento do número de evacuações por dia e até mesmo incontinência fecal.

Se o paciente for disciplinado em sua dieta, esses efeitos colaterais serão facilmente controlados.

            Todos os fármacos citados são indicados para emagrecer e só devem ser utilizados quando o paciente consegue seguir uma dieta mais saudável e a prática de exercícios físicos continuamente.

Essa é a junção mágica e totalmente eficaz para quem quer perder peso: exercícios físicos e reeducação alimentar! Não há nenhum segredo, só uma boa força de vontade do indivíduo, salvo casos de doenças como hipotireoidismo, lúpus e outros tipos de doenças autoimunes, aí o assunto é outro.

Nenhum tipo de medicação deve ser utilizada sem prescrição e orientação médica, lembre-se sempre disso!

É importante saber que

Riscos ligados ao consumo de medicamentos para emagrecer

  1. Dependência química: como já vimos, caso os medicamentos para emagrecer forem utilizados de maneira exagerada, eles podem causar dependência. Um dos grandes problemas do uso descontrolado dos medicamentos é o vício, que podem trazer sérios riscos saúde;
  2. Tolerância: o período de uso dos medicamentos não pode ultrapassar seis meses, pois o paciente poderá desenvolver um quadro de tolerância, resultando assim no ganho de massa corporal e perda da eficácia do fármaco;
  3. Abuso dos fármacos: muitos pacientes esperam resultados incríveis com pouco tempo de uso dos fármacos. O uso dos mesmos é indicado apenas para pessoas obesas, como um complemento dos já citados exercícios e reeducação alimentar;
  4. Enganação: muitos acham que o medicamento para emagrecer é milagroso e acabam deixando de lado as atividades físicas e dieta, o que acaba não gerando resultados esperados. Lembre-se que os medicamentos são apenas complementos, não a causa principal do emagrecimento;
  5. Todo fármaco possui efeitos colaterais: se você quer mesmo emagrecer com o auxílio de medicamentos, precisa saber que existem inúmeros efeitos colaterais e que há pacientes que não poderão realizar o uso dos mesmos;
  6. Não fique chateado (a): caso você comece a utilizar algum tipo de fármaco e não tenha o resultado esperado, não se desmotive. Converse com seu médico, explique tudo o que está sentindo e continue seguindo com sua dieta e exercícios.

Artigos científicos

            Para corroborar com o que escrevi até aqui, trago alguns trabalhos científicos publicados em jornais internacionais.

Conclusão

            Medicamentos para emagrecer devem ser utilizados com parcimônia e somente por aqueles que possuem obesidade (IMC >30) ou com IMC >27 que possuem doenças crônicas associadas. O uso desenfreado desses tipos de fármacos podem trazer inúmeras consequências para aqueles que os consomem, podendo levar a dependência química e danos físicos e mentais. Como todo tipo de tratamento, o uso de fármacos para emagrecer possui um período para ser utilizado, não podendo ultrapassar os seis meses de uso. As doses precisam ser administradas diferentemente para cada paciente, pois cada indivíduo é único e possui características biológicas únicas.

Existem efeitos colaterais associados ao uso de anorexígenos, sacietógenos e inibidores da absorção de gorduras. Todos os pacientes devem ser orientados quanto a isso por seu especialista escolhido, antes de realizar o uso dos medicamentos para emagrecer. É importante salientar que os fármacos são apenas uma parte do processo de emagrecimento, sendo o mais importante a realização de exercícios físicos com uma dieta saudável e balanceada, senão de nada adianta. Espero que você tenha gostado do artigo. Até a próxima!

Fontes

  1. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-10/um-em-cada-oito-adultos-no-mundo-e-obeso-alerta-oms
  2. http://www.quimica.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=258
  3. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-12042013-102419/publico/RuthRochaFranco.pdf
  4. http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/05/entenda-o-que-e-sibutramina-e-os-efeitos-colaterais-do-tratamento.html
  5. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27680881/
  6. https://www.mayoclinicproceedings.org/article/S0025-6196(11)64159-1/fulltext
  7. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232014000501389&lng=pt&tlng=pt
  8. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012001200018&lng=pt&tlng=pt
  9. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25005806/

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